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Thursday, 16 July 2015

sbroing I - O Projeto

Algures a meio de Março deste ano, em jeito de conversa sobre livros e tecnologias, surge uma ideia: porque não dar mais atenção a AUDIOLIVROS?

À mesa estava um programador (eu) e uma jornalista e locutora de rádio, Daniela Azevedo, uma voz que eu conhecia da M80 e do Cotonete. Nasce assim, depois de um café e dois dedos de conversa, o projecto sbroing. Não sabíamos ainda o que seria (aliás, em parte ainda não sabemos ;) mas sabíamos que seria fruto de duas pessoas a fazer aquilo que sabem fazer melhor, a Daniela Azevedo a narrar uma história e eu, Basílio Vieira a tratar de tudo que teria a ver com Podcasts, HTML, alojamentos, backups, configurações de servidores web e automatização de processos.

 
A dupla de sucesso por detrás do sbroing: a locutora Daniela Azevedo e o programador. 


O resultado, depois de dois meses de trabalho (e muita diversão) está à vista: um site em www.sbroing.com onde foram publicados os episódios do livro "O Principezinho", um trabalho de qualidade e sem falhas técnicas, um projeto onde tínhamos a liberdade de construir o nosso modelo editorial à medida que avançávamos e com decisões tomadas sempre com um grande espírito de camaradagem.

O autor, Antoine de Saint-Exupéry e O Principezinho


A escolha da obra "O Principezinho" foi um feliz acaso, o resultado de um ensaio fortuito em que eu ouvi o primeiro capítulo gravado pela Daniela e exclamei "CARAMBA, temos mesmo de fazer isto!" Só mais tarde reparámos que a obra tinha passado para domínio público em janeiro deste ano, ou seja 75 anos depois do falecimento do autor, Antoine de Saint-Exupéry, a obra passa a estar disponível para reprodução por qualquer pessoa que o pretenda fazer, o que facilitou bastante todo o processo. Por suprema ironia, eu nunca tinha lido a história embora já tivesse tropeçado nela algumas vezes ao longo da vida e confesso que fiquei espantado, quase chocado, com o final.

Tive então o privilégio de descobrir a história interpretada por um talento vocal que faz jus a esta grande obra e que dá gosto a ouvir, não apenas por ter uma dicção irrepreensível e pronunciar as SÍ-LA-BAS TO-DAS, como também pela capacidade de alternar entre 3 ou 4 vozes diferentes em cada episódio, sempre gravados numa única sessão, sem efeitos, sem emendas(!)

Um exemplo de um ficheiro audio de um episódio.
Pronto para ser publicado, sem necessidade de correções ou retoques. 

... Por comparação, quando eu, "o programador", entrava em estúdio para gravar os 8 míseros segundos dos textos de abertura e fecho de cada episódio, iniciava o processo de sofrimento da Daniela que me dizia "está quase, outra vez!", "não engulas as palavras, outra vez!", "respira antes das frases, outra vez!", "agora diz isso sem parecer que estás a ler uma bula de um medicamento, outra vez!" e às vezes, meia hora e vinte takes depois lá conseguíamos uma gravação que não me envergonhava.
A fazer "voz de rádio". Mas talento vocal é muito mais do que isso ;)


A moral disto tudo é que cada um é para aquilo que nasceu e que se esforçou para ser :D

Fica aqui a promessa de mais 2 blogposts sobre o sbroing, um mais técnico onde irei partilhar questões relacionadas com a edição e publicação digital de conteúdos em podcast e um sobre a nossa mascote, o sbroing, uma ameba que ganhou vida própria e que diverte miúdos e graúdos.

14 episódios depois, estamos a chegar ao final de uma história que tem muito para ensinar a todos nós. Durante esta viagem de 14 episódios, aprendi muito e diverti-me bastante a planear sistemas e resolver problemas inesperados, conseguindo ver o fruto deste projeto aparecer e encantar ouvintes que nos fizeram chegar palavras de carinho e apoio pelo nosso esforço. Tudo junto fez com que fosse uma honra trabalhar ao lado da Daniela Azevedo para construir este sbroing :)




Obrigado a todos por esta viagem. O sbroing irá continuar com outras histórias de encantar e com muitas surpresas.

Até já!


Wikipédia - Daniela Azevedo (Jornalista / Locutora)

Site da M80
Site do Cotonete

Site do sbroing - Podcasts e Audiolivros
sbroing no Facebook

Wednesday, 13 May 2015

Li um livro: "Rebooting Democracy" / "Reinventar a Democracia"

"Rebooting Democracy", que foi agora editado em português com o título "Reinventar a Democracia", é um livro transversal a vários países que não se foca apenas no que está errado mas que aponta também dicas de caminhos para uma sociedade mais activa.

Ao desmontar a visão distorcida que fabricámos dos políticos, Manuel Arriaga leva-nos a compreender de que forma optámos por confiar em alguém que, por natureza, não serve os nossos interesses e paradoxalmente é visto pelos cidadãos como um elemento mais inteligente e mais culto do que nós meros eleitores. Ao confrontar-nos com a, agora óbvia, contradição entre a imagem fabricada dos políticos e a sua verdadeira ineficiência em servir aqueles que deveriam ser os interesses máximos, damos então um primeiro passo para compreender a dimensão do problema da Democracia actual.

O autor consegue estabelecer um equilíbrio entre os dados académicos e os exemplos acessíveis e temos por isso capítulos que nos relembram as origens da democracia e dos sistemas políticos actuais contando uma útil lição de História e também capítulos que apresentam os mecanismos que todos seguimos através da alegoria de uma simples mercearia que representa a nossa sociedade e a forma como desistimos de exercer controlo sobre os nossos políticos eleitos, comparando-os aos gestor da mesma.

"A democracia é a pior forma de governo à excepção de todas as outras que foram testadas."

Este comentário falacioso, tantas vezes brandido como um dogma actual para consolidar o estado das coisas, é o ponto de partida para uma visita guiada a uma coleção de alternativas de governo (que já passaram pelo teste dos tempos) e que poderão, no futuro ser uma saída para o cenário de catástrofe eminente em que nos colocámos de forma voluntária.

Manuel Arriaga, nascido numa jovem democracia é alguém da geração certa: nem muito velho para ter desistido de mudar a sociedade, nem muito novo a ponto de não ter uma visão abrangente das transformações que a Europa sofreu recentemente é por isso o autor perfeito para um livro que recomendo às camadas mais jovens que estão agora a iniciar a sua vida adulta e que serão instrumentos e maestros da mudança que necessitamos para uma sociedade global mais justa e sustentável.


Editora: Manuscrito
Autor: Manuel Arriaga (Twitter)
Site: rebootdemocracy.org/book

Friday, 18 July 2014

5 razões para a parentalidade moderna estar em crise


tags: 

(TRADUÇÃO do artigo: "5 reasons why modern parenting is in crisis")

Este post é apenas uma tradução de um artigo publicado no Huffington Post. Porque concordo quase na globalidade com o que a Emma Jenner escreveu, acho importante partilhar com quem não domina o inglês. O artigo original está aqui.



Tradução do artigo no Huffington Post escrito por Emma Jenner.



5 razões para a parentalidade moderna estar em crise, conforme visto por uma educadora britânica.



Por norma sou uma pessoa otimista. Gosto de achar que tudo irá correr bem até prova em contrário e todos os que me conhecem sabem que não sou dada a dramas. Por isso, quando digo que a parentalidade moderna está em grandes sarilhos - diria mesmo, crise - espero que oiçam e prestem muita atenção. Trabalhei com pais e crianças em dois continentes durante duas décadas e o que assisto neste momento deixa-me alarmada. Eis, a meu ver, os maiores problemas:



1. Medo das nossas crianças.


Tenho aquilo a que chamo "o teste do copinho" em que observo uma mãe a dar um copo de leite à criança pela manhã. Se a criança diz "quero o copinho cor de rosa, não o azul!" mas a mãe já tinha colocado o leite no cor azul, observo atentamente a reação da mãe. Na maioria dos casos, a mãe para o que está a fazer e apressa-se a trocar os copos antes da criança começar uma birra. Falha! Mãe, de que tens medo? Quem é que manda aí? Deixe que a criança faça a birra e  afaste-se para não ter que a ouvir. Mas por amor de deus, não inventem mais trabalho só para agradar à criança - e mais importante, pensem na mensagem que estão a passar se lhe derem tudo o que ela quiser por que fez uma birra.



2. Baixar a fasquia.


Quando uma criança se comporta mal, seja uma birra em público ou uma atitude incorreta em privado, os pais tendem a encolher os ombros como quem diz "as crianças são assim". Acreditem, não tem de ser assim, as crianças são capazes de muito mais do que os pais tipicamente esperam delas, quer sejam bons modos, respeito pelos mais velhos, tarefas, generosidade ou auto-controle. Acham que uma criança não consegue ficar sentada durante um jantar num restaurante? Tretas. Acham que uma criança não consegue levantar os pratos da mesa sem lhe peçam isso? Mais tretas! A única razão porque elas não o fazem é porque vocês nunca lhe mostraram como o fazer e nem esperam que elas o façam! Tão simples quanto isso. Subam a fasquia e a criança estará à altura do desafio.



3. Perdemos a aldeia.


Antigamente os condutores do autocarro da escola, os professores, os funcionários das lojas e outros pais tinham permissão para pôr as crianças na ordem. Funcionavam como os olhos da mãe e do pai quando as crianças não estavam ao pé deles e todos trabalhavam para o mesmo interesse comum: criar rapazes e raparigas bem educados. Era uma aldeia que se apoiava nela mesma. Agora, quando alguém que não é pai da criança se atreve a corrigi-la os pais ficam chateados. Querem que o filho pareça perfeito e por norma não aceitam que lhes digam o contrário. Mais facilmente discutem com o professor do que disciplinam o próprio filho por se portar mal na sala de aula. Sentem uma necessidade de projectar uma imagem perfeita e infelizmente a insegurança deles é reforçada porque efectivamente os pais julgam os outros pais. Se uma criança está a fazer uma birra, todos olham para a mãe com um ar de reprovação. No entanto, ela deve ser apoiada porque muito provavelmente a birra deve-se à mãe não ter cedido a uma exigência do filho. Quem observa deveria estar a dizer "Ei, bom trabalho - eu sei que custa impor-lhes limites."



4. Recorrer a atalhos.


Acho fantástico que os pais tenham todo o tipo de dispositivos electrónicos para auxiliar durante viagens longas ou esperas prolongadas no consultório do médico. É igualmente fabuloso que possamos encomendar as mercearias pela web e aquecer comida quase saudável com apenas um toque no microondas. Os pais estão mais ocupados do que nunca e sou completamente a favor de facilitar quando é necessário. No entanto, os atalhos são um terreno cheio de armadilhas. Quando virem que o Ruca consegue distrair uma criança numa viagem longa, não sejam tentados a recorrer a isso num restaurante. As crianças continuam a ter de aprender ser pacientes. Continuam a ter de aprender a entreter-se sozinhas. Continuam a ter de aprender que a comida não vem toda quente e pronta em três minutos ou menos, e idealmente também aprenderão a ajudar a confeccioná-la. Os bebés têm que aprender a acalmar-se sozinhos em vez de serem colocados em baloiços automáticos sempre que estiverem agitados. As crianças têm de se levantar sozinhas quando caiem em vez de esticar os braços para os pais. Ensinem às crianças que os atalhos são úteis mas também que existe uma grande satisfação em fazer coisas de forma lenta.



5. Os pais colocam as necessidades das crianças antes das suas.


Biologicamente, os pais estão programados para tomar conta das crianças e isto é uma coisa boa para a evolução! Eu defendo que se adopte um horário ajustado às necessidades das crianças e a rotinas como alimentar e vestir as crianças primeiro. Mas os pais de hoje levaram isto longe de mais, prescindindo de todas as suas necessidades e saúde mental por causa das crianças. Assisto frequentemente a mães que se levantam vezes e vezes sem conta para satisfazer os caprichos das crianças. Ou a pais que largam tudo e atravessam o jardim zoológico a correr para dar uma bebida à filha porque ela tem sede. Não há mal nenhum em não ir ter com a criança quando ela quer mais um copo de água à noite. Não há mal nenhum no pai que está no jardim zoológico dizer "claro que podes beber algo, mas tens que esperar até passarmos perto da próxima fonte." Não há mal nenhum em pedir ao seu filho que se entretenha por alguns minutos porque a mamã quer privacidade na casa de banho ou até mesmo folhear uma revista.


Receio que se não começarmos a corrigir estes 5 erros graves de paternidade, estaremos a criar filhos que serão adultos egoístas e impacientes. Não será culpa deles - será nossa. Não os educámos de outra forma, nunca esperámos mais deles. Nunca quisemos que eles sentissem algum desconforto, e quando tal acontece, lamentavelmente eles não estão preparados para isso. Portanto, pais e educadores de Londres a Los Angeles e em todo o mundo, por favor exijam mais. Esperem mais. Partilhem as vossas lutas. Dêem menos. Vamos corrigir essas crianças e, juntos, prepará-los para o mundo real e não para redoma de proteção que criámos para eles.



Saturday, 1 February 2014

THE BOTS ARE COMING! THE BOTS ARE COMING! THE BOTS ARE COMING! ... to Google Hangout.

Sim, a revolta das máquinas deu mais um passo em frente e agora já chegam até nós como personagens que tentam estabelecer uma conversa no Google Hangout. No entanto o objectivo não parece ser o domínio do mundo e a escravidão da raça humana mas apenas atrair incautos para um site de meninas descascadas. Enfim, business as usual...


Thursday, 5 December 2013

Esquisitóide

Quando estiveste cá há um bocado
Não te consegui olhar de frente
Pareces um anjo
A tua pele faz-me chorar

Flutuas como uma pena
Num mundo lindo
Gostava de ser especial
Tu és especial comó caraças

Mas eu sou um totó, sou um esquisitóide
Que raio faço eu aqui?
Eu não pertenço aqui

Não quero saber se dói
Quero ter controlo
Quero um corpo perfeito
Quero uma alma perfeita

Eu quero que repares
Quando não estou por perto
Tu és especial comó caraças
Eu queria ser especial

Radiohead - Creep
(Tradução liberal)

Friday, 21 June 2013

Kickstarter: "Errámos"

(TRADUÇÃO de Kickstarter: "We were wrong")

Este post é apenas uma tradução de um texto que está perfeito em muitos níveis e por isso mesmo não deve estar disponível apenas para quem domina o inglês. Julgo que todos nós podemos aprender algo nestas palavras. O post original está aqui.






Errámos

Caros todos,


Na manhã de quarta-feira foi-nos enviado um blog post a informar sobre material perturbador encontrado no Reddit. O material ofensivo era parte de um rascunho para um "manual de sedução" que alguém estaria a preparar a publicação usando o Kickstarter.

Os posts ofenderam muitas pessoas - nós incluídos - e muitas delas pediram-nos que cancelássemos o projecto do autor. Não o fizémos.

Errámos.

Porque razão não cancelámos o projecto logo que nos foi chamada a atenção para esse material? Duas coisas influenciaram a nossa decisão: 

  • A decisão tinha de ser tomada imediatamente. Tivemos apenas duas horas desde que soubemos dos factos até que o prazo do projecto terminasse. Nunca tentámos remover um projecto tão depressa.  
  • Os nossos processos, e a nossa forma de viver no dia-a-dia, pendem fortemente para os criadores. É algo que está profundamente enraizado na nossa forma de ser. É um dever que temos para com a nossa comunidade - e com os criadores em particular - abordar essas investigações de forma metódica pois não existe margem para erro ao cancelar um projecto. Este raciocínio fez com que prestássemos demasiada atenção às arvores, sem ver a floresta.

Estes factores não desculpam a nossa decisão mas esperamos que esclareçam a forma como a tomámos.

Permitam que sejamos muito claros nisto: Conteúdos que promovam ou glorifiquem a violência contra as mulheres ou qualquer outro grupo foram sempre proibidos no Kickstarter. Se uma página de um projecto contém material ofensivo ou abusivo nós não a aprovamos. Se tivéssemos visto este material quando o projecto foi submetido no Kickstarter (não vimos), o projecto nunca teria sido aprovado. O Kickstarter está empenhado em manter uma cultura de respeito.

Em que ponto é que isto nos deixa?

Primeiro, não é possivel retirar dinheiro do projecto ou cancelar o financiamento depois do acto consumado. Quando o projecto foi financiado, o dinheiro dos apoiantes passou directamente dos apoiantes para o criador. Perdemos a nossa oportunidade.

Segundo, a página do projecto foi removida do Kickstarter. Este projecto não tem cabimento no nosso site. Por uma questão de transparência existe aqui uma cópia para arquivo.

Terceiro, iremos desde já proibir “guias de sedução" ou similares. Esse tipo de material encoraja comportamentos machistas e não vai ao encontro da nossa missão de financiar trabalhos creativos. Esse tipo de coisas simplesmente não tem lugar no Kickstarter.

Quarto, o Kickstarter irá doar 25 mil dólares a uma organização contra a violência sexual chamada RAINN. Trata-se de uma organização excelente que combate exactamente o tipo de problemas que a nossa inacção poderá ter encorajado.

Levamos o nosso papel de agentes do Kickstarter muito a sério. O Kickstarter é um dos lugares na net mais simpáticos e que mais apoia (a comunidade) e estamos empenhados em mantê-lo assim. Pedimos desculpa por ter falhado tão miseravelmente neste caso.

Obrigado,

Kickstarter


Sunday, 2 December 2012

"A sério, Varatojo?!"

O português não pode ser uma segunda língua nos tempos que correm. Por isso mesmo é que tem todo o sentido que se adaptem na totalidade as expressões estrangeiras que se infiltram no nosso dia a dia. Nesta primeira rodada, temos o prazer de converter a expressão:


"No shit, Sherlock?!"


Esta expressão, dita normalmente com o sobrolho levantado, pretende rematar uma conversa em que alguém refere um facto óbvio como "ah, está a nevar lá fora... deve estar frio" algo que só pode ser respondido com um sonoro "No shit, Sherlock?!" No entanto, estas verdades de La Palice devem ser sublinhadas por uma expressão portuguesa e não por uma importação anglo-saxónica, pelo que sugiro, aliás, declaro que o nosso Artur Varatojo, o jornalista-detective dos anos 80 está claramente ao nível do britânico Sherlock Holmes.

Artur Varatojo,  ABC do Crime (Video): https://www.youtube.com/watch?v=rBQqeUtLWJ0

Assim sendo quando alguém disser algo como "estar vivo é o contrário de estar morto" o correcto é responder com um patriótico "A sério, Varatojo?!"

Se todos nós fizermos a nossa parte, teremos um país mais culto :)



Leia aqui a entrada na Wikipédia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/A_sério,_Varatojo?

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Jacques_de_la_Palice

http://www.urbandictionary.com/define.php?term=no%20shit%20sherlock

Exemplos de utilização no twitter: 

Friday, 16 July 2010

Toda a verdade sobre "O Pátio das Cantigas"

Estreou em 1942 e tornou-se o principal clássico do cinema português, com expressões que perduram para sempre na nossa memória como "Ó Evaristo, tens cá disto?" e "Dona Rosa, chegou a sua filha!"


Onde fica o Pátio das Cantigas?




Não é de espantar que vários cantos e freguesias de Lisboa sejam apontados como o verdadeiro local das filmagens do Pátio das Cantigas: Os mais óbvio são em Alfama, mas outros juram que foi num recanto da Estrela, em Campo de Ourique, no Campo Santana (talvez por causa do Vasco Santana) ou no Bairro Alto. O pátio que no filme chamava-se "Pátio do Evaristo" poderia bem ser no Príncipe Real, depois do Arco do Evaristo que existe mesmo e começa na Rua D. Pedro V. Pessoalmente apadrinho a escolha de uma "Villa" operária na Graça com as suas casas viradas para um pátio central. Das sete vilas operárias lá existentes gosto bastante de duas ou três.

... Mas não foi em nenhum desses locais :(


A planta do pátio com o local de cada residente


Depois de estudado o caso, apresento aqui a derradeira verdade sobre "O Pátio da Cantigas":

O filme foi integralmente rodado num cenário construído nos estúdios da TOBIS, no Lumiar.

Assim o diz o Instituto Camões, a Wikipedia, a TOBIS e as provas fotográficas:

"Várias zonas da capital reivindicaram o lendário Pátio; ora, não passava dum cenário de Roberto Araújo - síntese arquitectónica de Lisboa, e espaço funcional construído nos terrenos da TOBIS, a partir do qual se desmultiplica a acção, paralela ou envolvente." (http://cvc.instituto-camoes.pt)

Roberto Araújo é creditado como o criador dos cenários no final d' "O Pátio das Cantigas" (Wikipedia / Roberto Araújo Pereira).


O cenário em construção (origem: TOBIS Portuguesa)

Ah... e se ligarem para a TOBIS Portuguesa eles confirmam isso ;)

Além disso existe um ou outro ângulo que só poderia ser filmado removendo as escadas que estão de frente para o arco, algo habitual nos cenários mas impraticável num pátio verdadeiro:


As escadas junto à fonte.
A filmagem do arco, com a fonte do lado direito.
Para filmar isto é necessário retirar as escadas para colocar as câmaras de filmar.


É claro que o meu lado romântico prefere acreditar que toda a acção foi filmada num local mágico em Lisboa que conseguirei encontrar um dia. Estou errado, mas prefiro assim.

Se vieram até aqui, pelo menos aproveitem e façam um passeio virtual pelo "Pátio das Cantigas"




ATUALIZAÇÃO - Em 2015 foi lançada uma nova versão deste filme com o César Mourão, Sara Matos, Rui Unas e Miguel Guilherme como protagonistas desta história reescrita de acordo com a realidade do Séc. XXI. Podem saber mais informações clicando aqui (IMDB - Pátio das Cantigas 2015)