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Wednesday, 13 May 2015

Li um livro: "Rebooting Democracy" / "Reinventar a Democracia"

"Rebooting Democracy", que foi agora editado em português com o título "Reinventar a Democracia", é um livro transversal a vários países que não se foca apenas no que está errado mas que aponta também dicas de caminhos para uma sociedade mais activa.

Ao desmontar a visão distorcida que fabricámos dos políticos, Manuel Arriaga leva-nos a compreender de que forma optámos por confiar em alguém que, por natureza, não serve os nossos interesses e paradoxalmente é visto pelos cidadãos como um elemento mais inteligente e mais culto do que nós meros eleitores. Ao confrontar-nos com a, agora óbvia, contradição entre a imagem fabricada dos políticos e a sua verdadeira ineficiência em servir aqueles que deveriam ser os interesses máximos, damos então um primeiro passo para compreender a dimensão do problema da Democracia actual.

O autor consegue estabelecer um equilíbrio entre os dados académicos e os exemplos acessíveis e temos por isso capítulos que nos relembram as origens da democracia e dos sistemas políticos actuais contando uma útil lição de História e também capítulos que apresentam os mecanismos que todos seguimos através da alegoria de uma simples mercearia que representa a nossa sociedade e a forma como desistimos de exercer controlo sobre os nossos políticos eleitos, comparando-os aos gestor da mesma.

"A democracia é a pior forma de governo à excepção de todas as outras que foram testadas."

Este comentário falacioso, tantas vezes brandido como um dogma actual para consolidar o estado das coisas, é o ponto de partida para uma visita guiada a uma coleção de alternativas de governo (que já passaram pelo teste dos tempos) e que poderão, no futuro ser uma saída para o cenário de catástrofe eminente em que nos colocámos de forma voluntária.

Manuel Arriaga, nascido numa jovem democracia é alguém da geração certa: nem muito velho para ter desistido de mudar a sociedade, nem muito novo a ponto de não ter uma visão abrangente das transformações que a Europa sofreu recentemente é por isso o autor perfeito para um livro que recomendo às camadas mais jovens que estão agora a iniciar a sua vida adulta e que serão instrumentos e maestros da mudança que necessitamos para uma sociedade global mais justa e sustentável.


Editora: Manuscrito
Autor: Manuel Arriaga (Twitter)
Site: rebootdemocracy.org/book

Wednesday, 10 October 2012

A long time ago...

No Condado Portucalense:


(Kronk a beber jeropiga)


Há muito, muito tempo atrás, um homem das cavernas acorda no meio de um vale que alguém viria a chamar Guimarães dali por 5 milhões de anos.


Este nosso homem das cavernas, chamemos-lhe Kronk, olha em redor, contempla uma floresta onde reinava a paz, e diz para consigo:

"Caramba, que belo pedaço de mundo este!"


Passeia por ali um pouco, caça, come e deita-se ao fim do dia a pensar numa morena jeitosa.



Entretanto, na Suécia:


(Sven a preparar uma roda para um Volvo)


Há muito, muito tempo atrás, um homem das cavernas acorda no meio de um vale que alguém dali por 5 milhões de anos e sem nexo aparente, viria a chamar Smårlsgenfich, talvez por ser o nome de uma simpática aldeia na Suécia.


Este nosso homem das cavernas, chamemos-lhe Sven, olha em redor, contempla uma floresta onde reinava a paz, que por estar coberta de neve tinha naquela altura um ar inacreditavelmente natalício e diz para consigo:

"Caramba, que belo pedaço de mundo este!  Agora deixa-me cá construir um abrigo senão amanhã acordo morto."


Sabem, eu tenho esta teoria: muito do que nós somos foi condicionado pelo clima da região onde passámos os últimos 5 milhões de anos. Não foi o período dos Descobrimentos que nos moldou nem tão pouco o nosso último ditador.


Foi o clima que não nos moldou.